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Cícero e o Carnaval de Salvador – parte 3

Terceiro dia de folia, segundo dia que vou na avenida. Após a loucura resolvi ir apenas como documentarista. Perdia sexta feira e o bloco 2222 que esteve Gilberto Gil e JOrge BenJor, mas realmente estava cansado então fui no sábado. Uma coisa interessante sobre o carnaval é que quem gosta incentiva a ir, é claro tomando os devidos cuidados (ainda mais se você está sozinho, como era meu caso). E quem não gosta te coloca mais medo, como se algo de errado fosse, e cai acontecer.

Mas como estou de saco cheio de medo embutido (seja pela televisão, política, ou das pr´prias pessoas), fui na maior tranquilidade (tomando os tais devidos cuidados, pois como dizem os avós “seguro morreu de velho!!”)

E lá fui eu para desta vez o Circuito Osmar (Campo Grande), uma praça enorme que é transformada em camarote a preços populares.
Infelizmente na compra desses lugares, dias antes, o que se viu foi uma desorganização por parte da prefeitura e insanidade da população que na ânsia de conseguir um lugar quebraram os portões e detonaram parte da concha acústica. O pior é que parte desses “foliões”, compravam o camarote baratos, para vende-lôs logo em seguida a preços não tão populares assim

A princípio quando cheguei um bloco estava indo já longe e o próximo ainda não vinha. Ótima oportunidade pra andar, ver os tipos estranhos e comprar uma cerveja com sossego. Coisa que certamente não é complicada pois a cada 2 m quadrados tem um vendedor ambulante. A prefeitura tenta fazer um cadastro, mas a maioria não o é , e não tem fiscalização suficiente para tirar os não cadastrados. Isso não é uma crítica, afinal todos tem de trabalhar, porém os cadastrados pagam uma taxa para ficar na avenida e ás vezes o lugar é até distante. Enfim.

Então vem “As Muquiranas”, bloco tradicional em que só sai homens vestidos de mulheres. Divertido. Eles ficam com pistolas de água molhando a todos. Uma hora ficou chato, mas pelo menos não tem briga.

Ah! Sempre tentava ficar perto de posto da polícia, o que também não era problema, pois sempre policiais em filas de seis ou mais, atravessavam entre a multidão. Aí que descobri que quando você quiser ir a um ponto e estiver apertado, fique atrás do último policial (mas não muito perto). Afinal, ninguem vai querer parar os PMs.

O circuito Osmar é mais apertado. Teve horas que realmente me senti sufocado e foi aí que resolvi dar um espiada na praça da Sé e no Circuito Batatinha (Centro Histórico).

Na praça da Sé é bem mais tranquilo. Uma orqustra sinfônica tocava marchinhas em um palco na frente da prefeitura. E pra quem quiser descer no Comércio (bairro da cidade baixa), o Elevador Lacerda, é gratuito. Mas fique tranquilo, pois quando há de se pagar é apenas 5 centavos.

O Circuito Batatinha é onde vemos os trios pequenos, com dançarinos ás vezes no chão, muitas baianas e ritmo Afro, muita beleza negra espalhada, acho que aí e no Pelourinho (que só fui dois dis depois) é onde mais gostei, onde você se diverte mais, se cansa e se preocupa menos.

Após batante curtição e cansaço, voltei pela avenida, vi mais um ou dois blocos e voltei pra casa, cansado mais satisfeito.

Ah! Não citei nenhum artista dos blocos do Campo Grande pois confesso que apesar da estrutura nesse dia nenhum se destacou pra mim. Mas no próximo post teremos mais trios. Mais artistas (bons e ruins!!), mais críticas e mais carnaval, desta vez de volta no Barra- Ondina. Até lá!

fevereiro 17th, 2008 Posted by mutantesonoro | Cultura, dança | no comments

Cícero e o Carnaval de Salvador – parte II

Bem amigos lanterneiros, aqui estou para continuar a saga documental de meu primeiro Carnaval da cidade do mesmo.

Na verdade nessa segunda parte será o primeiro dia na avenida!

Quinta feira. 31 de janeiro de 2008. Trabalho externamente, só lanchando por meia hora, saí mais cedo. Já combinado, minha namorada e um amigo me deram carona e já como combinado nos fantasiamos e… Ah! Sim, desculpem, esse bloco que saímos se chama os Mascarados de Margareth Menezes, e esse foi o primeiro ano em que a pessoa bastava estar fantasiada para entrar no cordão do bloco.

Seguimos e meia noite e meia chegamos no porto da barra. A multidão já chegava e os fantasiados também, mas antes de ver qualquer fantasia, algo me chamou a atenção. Um caminhão com uma carroceria ENORME com muita gente em cima. Sim. O trio elétrico é colossal. Aliás como disse Daryl Hanna em Kill Bill (aquela beldade não envelhece não, é?), colossal não é uma palavra que usamos sempre. Mas o trio assim o é.

E então começa a chegar as pessoas fantasiadas e os cordeiros (as pessoa que trabalham separando o bloco da pipoca)as deixam entrar. Margareth Menezes começa cantando “Quem é você” e depois mandam nas suas músicas que eu, como estranho poucos a conheço, mas até aí a animação rola, e bom…o carnaval começa.

Entre Fred Flinstones, Super-Homem, Àrabes, HUlk, soldados romanos, odaliscas, mulheres-gato, e tantos outros, a criatividade rolou solta e até um Alex (Laranja Mecânica), estava presente. Eu de Coringa, com a cara pintada (e fantasia bolada, enão alugada), me divertia, mas nesse dia durou pouco e até por um erro de interpretação.

O Bloco se chama “Os Mascarados”, porém a regra era fantasia. Só que a galera, enfiava uma peruca na cabeça ou uma máscara no olho e os cordeiros os liberavam. Resultado:

Em uma hora e meia, o bloco ficou estufado, impossível de pular ou se divertir. Pra sair outro sacrifício. Até agora sem entender, um gorilão não queria deixar a galera sair. Mas tivemos de forçar e sair da multidão.

Naquele momento percebi duas coisas:

1 – Não entendo como uma pessoa fica em um bloco da saída até a chegada (acho que fiac chato depois de 3 horas ouvindo a mesma banda.

2 – Meus dias seguintes só de observação seriam mais interessantes.

Mas o gordinho vestido de He-man e o grupo de amigos caracterizados como a turma do Chaves já valeu a noite.

Para o próximo Post, outros circuitos, outros loucos, muito som e muita gente!

fevereiro 14th, 2008 Posted by mutantesonoro | Cultura, musica | no comments

Cícero e o Carnaval de Salvador

Pois é o ano começou.

Olha, estou desde junho do ano passado morando em Salvador, e realmente, aqui o ano só começa depois do Carnaval.
Queridos amigos Lanterneiros, a partir de hoje teremos uma série de post sobre o carnaval, e é claro contando minha experiência nos dias em que assisti, documentei e me diverti na festa pagã.

Antes de mais nada vamos começar com dois fatos:
1: O Carnaval da Bahia é o maior Carnaval de rua do PLaneta. Disso eu não tenho mais dúvidas
2: Quando algué disser que “O Carnaval de Salvador têm uma certa magia também é verdade, mas relaxem eu explicarei.

Outros detalhes: Se você é um curioso da cultura do país, venha para Salvador. Acho que é o Carnaval mais variado de todos. Porém se você é daqueles que tem certeza que nunca estaria nem de longe pra ver um trio elétrico, que não gosta de loucura e multidão, então fique no conforto e seu lar, porque tem gente. Não. Tem MUITA gente.

Nesse post, vou falar sobre os circuitos e em cada um dos seguintes falarei como foi minha experiência nos dias em que saí.

A cidade de Salvador simplismente para de quinta-feira (mas o comércio trabalha até sexta) até período da manhã de quarta-feira de cinzas.

Existem três circuitos oficiais,dois deles com nomes que homenageam os criadores do trio elétrico (a lendária Fobica) Dodô, Osmar ,e o último com o nome de um grande sambista e compositor baiano, Batatinha

Circuito Dodô (Barra-Ondina): para mim o melhor circuito em relação à segurança e aos locais para o folião pipoca (aquele que não sai em nenhum bloco pago, mas segue, ou vê passar os trios)
curtir a folia. Sai do Farol da Barra, seguindo a Av. Oceânica, na própria orla, terminando, na mesma Avenida, mas no bairro de Ondina.

Circuito Osmar (Campo Grande): É o circuito mais popular. Dá a impressão que o artista se sente mais perto do povo. Pporém o achei um tanto apertado. Acho que tem mais haver até com a quantidade de pessoas que cada ano aumentea mais. Sai da praça do Campo Grande, seguindo pelo Forte São Pedro, descendo toda a famosa Av. Sete de Setembro, fazendo o contorno antes de chegar à praça Castro Alves e subindo a sua Paralela, a Av.Carlos Gomes, retornando assim à praça.

Circuito Batatinha (Centro Histórico): È um circuito menor, com pequenos trios, sem cordas para blocos, e alguns deles com performances dos participantes. Sai do Início do Pelourinho, passando a Praça da Sé, descendo à rua Chile e finalizando na praça Castro Alves. É o mais artezanal em relação aos trios, mas um dos mais bonitos.

Além desses a cidade oferece uma gama enorme de festas, encontros, muita música e os chamados Circuitos Alternativos, onde temos:

Circuito Rock: Na praia de Piatã (bem longe da folia) pra quem odeia Carnaval, pode curtir várias bandas de muitos estilos ligadas ao Rock, os quais confesso não pude ir, mais por tempo e grana (ou melhor, falta de).

Circuito dos bairros: alguns bairros mais distantes procuram fazer suas festas com pequenos trios e bandas locais.

Circuito Pelourinho: Do qual mais gostei. Bloco de rua, de vários tipos e muita música, com grande variação (samba, reggae, música regional). Sem dúvida o mais tranquilo de todos!

No próximo post (a partir de agora direto e reto) falarei da minha primeira experiência em um bloco! E de Margareth Menezes!! E fantasiado!!!

E vamos ter é história!!

Então, Inté!!

fevereiro 10th, 2008 Posted by mutantesonoro | Cultura, musica | no comments